A Fertilização in Vitro (FIV) é uma das técnicas mais conhecidas da medicina reprodutiva — e uma das que mais desperta curiosidade, expectativas e dúvidas. Para muitos casais que enfrentam dificuldades para engravidar, o tratamento representa um caminho possível para realizar o sonho da maternidade e da paternidade. Mas é comum que o assunto venha acompanhado de inseguranças, mitos e informações desencontradas.
Afinal, a FIV dói? Qual é a taxa de sucesso? Quantas tentativas podem ser necessárias? Existe risco maior de gravidez múltipla? Essas e muitas outras perguntas fazem parte da rotina de quem começa a considerar o tratamento.
Neste artigo, reunimos algumas das principais dúvidas sobre Fertilização in Vitro, respondidas pela dra. Alessandra Daud, médica ginecologista especialista em reprodução humana. A proposta é esclarecer, de forma simples e baseada em evidências, as principais perguntas que surgem no consultório. Informação de qualidade é um passo importante para que cada decisão seja tomada com mais segurança e tranquilidade.

Quanto tempo leva o tratamento de Fertilização in Vitro?
Quando realizado em uma etapa, a FIV leva em torno de 18 dias. Mas, atualmente, a técnica mais utilizada é em duas etapas, em que fazemos o tratamento, congelamos o embrião, e ele é transferido para o útero materno no próximo ciclo menstrual, após o preparo do endométrio da mulher.
A FIV aumenta as chances de engravidar de gêmeos?
Na FIV podemos escolher quantos embriões são transferidos para o útero. Diferentemente da inseminação artificial, temos mais controle sobre o resultado do tratamento.
A única possibilidade de virem gêmeos (sem a paciente desejar), é nos casos em que mesmo transferindo apenas um embrião, ele se divide no útero e resulta em gêmeos univitelinos. No entanto, esse é um evento raro, que ocorre em menos de 2% dos casos.
Quantos embriões eu posso transferir de uma vez?
A resolução nº 2.294/2021 do Conselho Federal de Medicina (CFM) determina que o número de embriões permitidos numa mesma transferência varia de acordo com a idade da paciente. Confira abaixo:
- Mulheres de até 37 anos: Até 2 embriões.
- Acima de 37 anos: Até 3 embriões.
- Para embriões euploides (considerados cromossomicamente saudáveis após a biópsia embrionária): Até 2, independentemente da idade da paciente.
No entanto, vale lembrar que as sociedades de reprodução assistida (a brasileira, a europeia e a americana) preconizam a tentativa de apenas um embrião devido aos riscos obstétricos de uma gestação múltipla. As exceções precisam ser conversadas individualmente entre paciente e médica.

A FIV dói?
Algumas mulheres podem ter mais sensibilidade à dor para fazer a medicação injetável, além da possibilidade de efeitos colaterais leves como cólicas, dores de cabeça e sensibilidade nos seios.
Já o procedimento de coleta de óvulos é realizado com sedação. A paciente pode sentir um leve desconforto após, mas costuma ser ameno e breve — em torno de três a cinco dias.
Quando necessário, a médica especialista em reprodução assistida pode prescrever analgésicos para aliviar esses sintomas.
Qual é a chance de sucesso da FIV?
A chance de sucesso na FIV depende da idade da paciente, assim como de suas condições gerais de saúde. No geral, essas são as estatísticas:
- Abaixo de 35 anos: 50% a 60% de chance de sucesso.
- 35 a 37 anos: Aproximadamente 40% a 50%.
- 38 a 40 anos: Varia de 25% a 40%.
- 40 a 42 anos: 15% a 25%.
- Acima de 42-43 anos: 5% a 15%.
Em todas as faixas etárias, as chances de engravidar por FIV são consideravelmente maiores do que as de engravidar naturalmente.
Importante ressaltar, também, que a cada nova tentativa, as chances aumentam. Por isso encorajamos as pacientes a não desistirem caso não conseguirem o seu resultado positivo logo na primeira transferência embrionária.

FIV é a mesma coisa que inseminação?
Não. Embora ambos sejam tratamentos utilizados na medicina reprodutiva, a Fertilização in Vitro (FIV) e a Inseminação Artificial são técnicas diferentes, com indicações e etapas distintas.
Na FIV, que é considerado um tratamento de alta complexidade, óvulos e sêmen são coletados para que a fecundação aconteça em laboratório. É indicado para casos de mulheres com endometriose, alterações nas trompas, infertilidade sem causa aparente, fatores masculinos graves, entre outros.
Na inseminação intrauterina (ou inseminação artificial) o sêmen coletado e tratado é depositado diretamente na cavidade uterina da mulher para que a fecundação aconteça naturalmente. É um tratamento mais simples, indicado para alguns casos específicos, como alterações leves no sêmen do parceiro, dificuldade para o casal ter relação no período correto, entre outros.
Bebês gerados por FIV são saudáveis?
As chances de gerar um bebê saudável são as mesmas do que em uma gestação natural. O fato de a fecundação acontecer em laboratório, não interfere na saúde do bebê.

Qual é a idade limite para fazer FIV?
50 anos, segundo determinação do Conselho Federal de Medicina. Casos de mulheres com mais de 50 são tratados como exceções e exigem uma autorização especial.
Será que a Fertilização in Vitro é o caminho para você realizar o sonho de aumentar a família? Entre em contato e tire as suas dúvidas.
Você ainda tem dúvidas sobre o tratamento ou gostaria de agendar uma consulta com especialista? Entre em contato pelo botão verde do Whatsapp que aparece no canto direito da sua tela.
Dra. Alessandra Daud é ginecologista especializada em reprodução humana e atende na Clínica Gerare, em Palmas (TO). A clínica faz parte do Fertgroup, o maior grupo de reprodução assistida do Brasil.


