Decidir buscar ajuda médica para engravidar é um passo importante — e, para muitos casais, também carregado de emoções. Dúvidas, medo do desconhecido, frustrações passadas e até um certo receio do que os exames podem revelar fazem parte desse processo.
A boa notícia é que procurar um especialista em reprodução humana não significa, necessariamente, partir direto para tratamentos complexos. O caminho começa com escuta, investigação cuidadosa e orientação personalizada.
Aqui você vai entender quais são os primeiros passos para quem deseja engravidar com ajuda médica e como esse acompanhamento pode trazer mais segurança, clareza e tranquilidade para sua jornada rumo à gestação.
-
O primeiro passo é a conscientização

Somos uma geração de mulheres que passou a vida toda ouvindo sobre métodos contraceptivos para evitar uma gravidez não planejada. Mas poucas de nós somos educadas sobre o momento de tentar engravidar, e sobre como nem sempre é tão simples e rápido como imaginamos.
Tanto é que, quando os testes negativos começam a se repetir mês a mês, muitas mulheres não entendem o que está acontecendo, nem sabem bem o que fazer a respeito. É ainda mais doloroso quando os testes positivos vêm, mas são seguidos de abortos de repetição.
A literatura médica indica procurar ajuda médica especializada após um ano de tentativas de engravidar sem sucesso (para mulheres jovens, de até 35 anos), e após seis meses de tentativas para mulheres acima dos 35, ou que já tenham algum diagnóstico que sabidamente afeta a fertilidade, como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) ou endometriose. A indicação de procurar um especialista vale também para quando uma mulher já perdeu dois ou mais bebês.
Essas circunstâncias não significam, necessariamente, que existe um motivo de infertilidade, mas sim, que é necessário iniciar uma investigação.
-
Consulta com um especialista em fertilidade

Após reconhecer a necessidade de ajuda, o ponto de partida é uma consulta com um médico especializado em reprodução humana. Esse encontro vai muito além de pedir exames.
É o momento em que o profissional:
- Escuta sua história;
- Entende há quanto tempo você tenta engravidar;
- Avalia seu ciclo menstrual;
- Analisa antecedentes médicos, cirurgias, uso de medicamentos e histórico familiar;
- Considera fatores emocionais e de estilo de vida.
Cada paciente tem uma trajetória única. Por isso, não existe um “pacote padrão” de investigação ou tratamento. Nessa fase, muitas mulheres se surpreendem ao descobrir que ajustes simples já fazem diferença antes mesmo de qualquer intervenção maior.
-
Investigação inicial: exames básicos de fertilidade

Após a primeira consulta, o médico pode solicitar exames iniciais para entender como está a saúde reprodutiva. Eles ajudam a identificar possíveis causas que estejam dificultando a gravidez.
Entre os exames mais comuns estão:
Para a mulher:
- Exames hormonais (como FSH, LH, estradiol, progesterona, TSH);
- Ultrassonografia transvaginal;
- Avaliação da reserva ovariana;
- Exames para investigar ovulação e saúde do útero.
Para o parceiro:
- Espermograma, que avalia a qualidade e quantidade dos espermatozoides.
Nessa etapa, é fundamental a presença do casal porque a dificuldade para engravidar nem sempre está ligada apenas à mulher — e, em muitos casos, envolve fatores masculinos ou combinados.
-
Entender a causa antes de falar em tratamento
Um erro comum é achar que buscar ajuda médica significa, automaticamente, iniciar tratamentos como a fertilização in vitro (FIV). Na prática, o diagnóstico vem antes da decisão pelo tratamento.
Com os exames em mãos, o especialista pode identificar situações como:
- Alterações hormonais;
- Problemas de ovulação;
- Endometriose;
- Síndrome dos ovários policísticos (SOP);
- Alterações uterinas;
- Fatores masculinos;
- Ou até casos chamados de “infertilidade sem causa aparente”.
Somente após essa análise é possível definir qual é o melhor caminho para cada casal, respeitando o tempo, o corpo e os objetivos de quem está tentando engravidar.
-
Ajustes no estilo de vida fazem parte do tratamento

Muita gente não imagina, mas o acompanhamento médico para engravidar também envolve orientações práticas do dia a dia.
Fatores como:
- Alimentação;
- Peso corporal;
- Qualidade do sono;
- Nível de estresse;
- Consumo de álcool;
- Tabagismo;
- Sedentarismo
podem impactar diretamente a fertilidade feminina e masculina.
Em alguns casos, melhorar esses aspectos já aumenta significativamente as chances de uma gravidez natural.
-
Os tratamentos de reprodução humana

Após a investigação e os ajustes iniciais, o médico pode indicar tratamentos de reprodução assistida, que variam conforme cada situação.
Eles podem incluir:
- Coito programado;
- Inseminação intrauterina;
- Fertilização in vitro (FIV) ou ICSI (injeção intracitoplasmática).
O mais importante é entender que o tratamento ideal é aquele que faz sentido para o seu diagnóstico, sua idade e seu momento de vida — e não o mais conhecido.
-
Apoio emocional também é parte do processo
Buscar ajuda médica para engravidar não é apenas uma decisão clínica. É também um movimento emocional.
Ansiedade, expectativa, frustrações e comparações são sentimentos comuns nessa fase. Por isso, aqui no consultório trabalhamos com informações claras, acolhimento e respeito ao tempo dos pacientes. Ter uma rede de apoio próxima nesse momento, com o parceiro, familiares ou amigos íntimos, também é fundamental.
Você não precisa passar por isso sozinha, e nem se sentir pressionada a dar passos para os quais ainda não está pronta.
Conclusão: informação e cuidado desde o começo
Ninguém escolhe, por desejo próprio, o caminho da reprodução humana para tentar engravidar. Mas, por mais que essa alternativa pareça complicada, não é um “bicho de sete cabeças”. Cuidar da fertilidade é como cuidar de qualquer outra área da sua saúde.
Os primeiros passos para engravidar com ajuda médica começam de forma simples, mas poderosa: informação de qualidade e acompanhamento especializado.
Antes de pensar em tratamentos, é essencial entender o que está acontecendo com o seu corpo e receber orientações personalizadas. Cada história é única — e cada caminho até a gravidez também.
Se você sente que chegou a hora de investigar com mais cuidado, procurar um especialista em reprodução humana pode ser o início de uma jornada mais leve, consciente e segura.
Vamos juntas?
Com carinho, Dra. Alessandra Daud
Dra. Alessandra Daud é ginecologista especializada em reprodução humana, e atende na Clínica Gerare, na cidade de Palmas (TO).


