Endometriose e infertilidade: quando a reprodução assistida pode ser o caminho

A endometriose é uma condição que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e, muitas vezes, está associada à dificuldade para engravidar. Nos bastidores da reprodução humana, temos uma máxima: “Nem toda mulher infértil tem endometriose, mas, dentre as mulheres com endometriose, muitas têm problemas de fertilidade.”

Se você recebeu esse diagnóstico ou suspeita da doença, é natural ter dúvidas sobre suas chances de gestação — e sobre quando buscar ajuda especializada.

Neste artigo, a Dra. Alessandra Daud, médica ginecologista especialista em reprodução assistida, explica como a endometriose pode impactar a fertilidade e quais são as opções de tratamento para quem sonha em ter um bebê.

O que é endometriose?

A endometriose acontece quando o endométrio (tecido que reveste a parte interna do útero) cresce para além da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, intestino e outras regiões da pelve.

Esse crescimento fora do lugar causa inflamação, pode causar dor e pode comprometer o funcionamento do sistema reprodutivo.

*Importante ressaltar que nem todo caso de endometriose tem sintomas óbvios. A doença pode ser assintomática, ou ter seus sintomas confundidos com condições naturais, como cólica menstrual, por exemplo.

 

Como a endometriose afeta a fertilidade?

A relação entre endometriose e infertilidade é complexa, mas alguns fatores ajudam a explicar por que a doença pode dificultar a gravidez:

  1. Alterações nas trompas

A inflamação pode causar aderências e obstrução nas trompas que dificultam o encontro entre óvulo e espermatozoide.

  1. Comprometimento dos ovários

A presença de endometriomas (cistos ovarianos) pode reduzir a qualidade e a quantidade dos óvulos.

  1. Alterações no endométrio

Mesmo dentro do útero, pode haver prejuízo na receptividade para a implantação embrionária.

Toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar?

Não. Algumas mulheres com endometriose conseguem engravidar naturalmente, especialmente nos casos leves.

Porém, quando há tentativas sem sucesso por 12 meses (no caso de mulheres de até 35 anos), ou por 6 meses (para mulheres com mais de 35 anos ou já com diagnóstico de endometriose) é fundamental investigar com um especialista em reprodução humana.

 

Quais são as opções de tratamento de reprodução assistida para quem tem endometriose?

A indicação de tratamento sempre é individual, e precisará considerar fatores como: grau da doença, locais do organismo que ela atingiu, se causou ou não aderências ou obstruções nas trompas… entre outros.

Uma das opções mais indicadas é a Fertilização in vitro (FIV). Isso porque ela contorna possíveis alterações nas tubas uterinas, já que o embrião formado é depositado diretamente no útero, permite controle sobre o preparo endometrial e tem melhores taxas de sucesso.

A FIV costuma ser a estratégia mais eficaz em muitos casos de endometriose, especialmente os mais avançados. Porém, em casos mais leves outras alternativas podem ser discutidas entre paciente e médica.

 

Endometriose tem tratamento?

A endometriose pode ser controlada, mas não tem cura definitiva. O tratamento deve ser individualizado, considerando:

  • Intensidade dos sintomas;
  • Idade da paciente;
  • Desejo de engravidar;
  • Estágio da doença.

Em muitos casos, o foco principal passa a ser preservar a fertilidade e otimizar as chances de gravidez.

Em casos mais severos, em que haja prejuízos para o bem-estar e conforto da paciente, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para remoção dos focos de endometriose.

 

Qual o papel do acompanhamento especializado?

Cada caso de endometriose é único. Por isso, o acompanhamento com um especialista em reprodução humana faz toda a diferença na escolha do melhor caminho.

Com a abordagem adequada, é possível aumentar significativamente as chances de engravidar — mesmo diante dos desafios da doença.

 

Seu próximo passo

Receber o diagnóstico de endometriose pode gerar insegurança, principalmente quando existe o desejo de ser mãe. Mas é importante lembrar: hoje existem tratamentos eficazes e caminhos possíveis.

A reprodução assistida tem ajudado milhares de mulheres a realizarem o sonho da maternidade, mesmo em casos mais complexos.

Se você está enfrentando dificuldades para engravidar, não adie a investigação. Quanto antes o diagnóstico e o tratamento adequado, maiores são as chances de sucesso.

 

Dra Alessandra Daud é médica ginecologista, especialista em reprodução assistida e fundadora da Clínica Gerare, pertencente ao Fertgroup (o maior grupo de reprodução humana do Brasil).

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